sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Vinvendo e... ?

Quando somos crianças, nos ensinam que não podemos correr com a tesoura na mão. Que quem brinca com fogo faz xixi na cama. Que não podemos bater no coleguinha. Que não podemos colocar a mão suja na boca.
Quando crescemos, nos ensinam a não compartilhar sentimentos, pois assim evitamos sofrimento. Aprendemos que não sabemos até onde o outro pode chegar para conseguir o que quer. Nos ensinam que só podemos ajudar quem quer ser ajudado.
Tudo isso parece tão simples quanto aprender que não se faz uma dissertação em primeira pessoa.
Mas não é suficiente. Tem vez que simplesmente não é suficiente.
Precisamos bricar com fogo, correr com a tesoura, compartilhar sentimentos, tentar ajudar quem não quer, escrever uma dissertação em primeira pessoa.
Porque, às vezes, queremos ver até onde o que nos ensinaram está certo. Queremos ver até onde somos capaz de mudar o mundo. De mudar o outro.
E, as pessoas como eu, sempre querem ir além. Dar uma de Madre Teresa e arrancar o sofrimento alheio com as próprias mãos.
E aquela vozinha dentro da cabeça gritando para não cometermos o mesmo erro de novo. E de novo.
Até ensinamos que podemos nos doar até certo ponto. Que depois disso só machuca. E sabemos disso.
Mas cismo em me doar, e quando dói, me doar um pouco mais.
Se até hoje gosto de brincar com fogo, imagino que nunca saberei a hora de parar.
Mesmo sabendo.

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